Se você vive de renda variável, o décimo terceiro chega em um momento em que o mercado pode estar em alta, em baixa ou em um vai e vem que dificulta qualquer planejamento. Antes de decidir o que fazer com esse dinheiro, você precisa responder a algumas perguntas objetivas, porque a resposta muda conforme o seu momento financeiro e o cenário dos investimentos. Este guia mostra as perguntas certas e o que considerar em cada caso, sem prometer retorno garantido.
Qual é a sua situação financeira atual?
A primeira pergunta é a mais básica e a mais importante: você tem dívidas com juros altos, como cartão de crédito rotativo ou cheque especial? Se sim, quitar ou reduzir essas dívidas tende a ser mais vantajoso do que investir, porque os juros do rotativo costumam ultrapassar 300% ao ano, enquanto nenhum investimento legal garante algo parecido. Se você não tem dívidas, avalie se você tem uma reserva de emergência equivalente a pelo menos seis meses dos seus gastos essenciais. Para quem vive de renda variável, essa reserva é ainda mais importante, porque os rendimentos podem oscilar e atrasar a reposição de caixa.
Como organizar o orçamento com renda variável

Se a sua renda varia, o orçamento precisa ser feito com base no valor mínimo que você costuma receber, não na média. Liste os seus gastos fixos e essenciais, como moradia, alimentação, transporte e saúde, e veja se o décimo terceiro cobre alguma lacuna de meses em que a renda foi menor. Anote em uma planilha ou caderno o total de despesas dos últimos seis meses e compare com a sua renda no mesmo período. Isso mostra se você precisa usar o décimo terceiro para completar o caixa ou se ele pode ser destinado a outros objetivos.
Quais são os seus objetivos com esse dinheiro?
Defina claramente o que você quer alcançar com o décimo terceiro. Os objetivos podem ser quitar dívidas, formar reserva, investir, pagar contas sazonais ou até mesmo custear a temporada de baixa renda que costuma acontecer no início do ano. Cada objetivo exige uma estratégia diferente. Por exemplo, se você quer investir, precisa decidir se vai colocar o dinheiro em renda fixa ou variável, considerando o seu perfil de risco e o prazo. Se você quer pagar contas sazonais, como IPTU, IPVA ou material escolar, separe esse valor em uma conta separada e não o misture com investimentos de longo prazo.
Qual é o seu perfil de investidor?
Antes de investir o décimo terceiro, responda: você se sente confortável com oscilações fortes no valor investido? Se a resposta for não, a renda variável pode não ser adequada para esse dinheiro, mesmo que você já invista em ações ou fundos imobiliários com outros recursos. O décimo terceiro costuma ser uma renda extra esperada, e perdê-lo em uma queda do mercado pode gerar estresse e decisões precipitadas. Avalie o seu perfil de investidor, que pode ser conservador, moderado ou arrojado, e escolha investimentos compatíveis. Se você não sabe o seu perfil, faça o teste de suitability que os bancos e corretoras oferecem, mas lembre-se de que o resultado é uma orientação, não uma garantia.
Como está o cenário econômico e de juros?
O cenário econômico influencia a decisão entre renda fixa e variável. Quando a taxa básica de juros, a Selic, está alta, a renda fixa tende a pagar bem e com menos risco, o que pode tornar a renda variável menos atraente. Quando a Selic está baixa, a renda variável pode parecer mais interessante, mas o risco é maior. Acompanhe indicadores como a inflação, o crescimento do PIB e a política monetária, mas não tente prever o mercado. Ninguém consegue acertar consistentemente o melhor momento para comprar ou vender. Se você não tem tempo ou conhecimento para analisar empresas, prefira investimentos mais simples, como fundos de índice (ETFs) que acompanham o Ibovespa, mas entenda que eles também oscilam.
Quanto do décimo terceiro você pode destinar à renda variável?

Defina um limite claro. Uma regra prática é nunca investir em renda variável um valor que você vai precisar nos próximos dois a cinco anos. Para quem vive de renda variável, o décimo terceiro pode ser uma oportunidade de reforçar a reserva ou de investir com horizonte longo, mas o valor destinado à renda variável deve ser aquele que, se perder 30% ou 40% do valor, não vai comprometer as suas contas. Por exemplo, se você recebeu R$ 5.000 de décimo terceiro e precisa de R$ 3.000 para as despesas de janeiro, não invista os R$ 3.000 em ações. Invista apenas o que sobrar, se sobrar.
Como decidir o valor ideal
Faça uma lista das suas despesas dos próximos seis meses e subtraia da sua renda projetada. O que sobrar pode ser investido. Se não sobrar nada, não invista. Não use o décimo terceiro para investir se isso significar deixar de pagar contas essenciais ou se endividar depois. O investimento é uma ferramenta de longo prazo, e a renda variável exige paciência e tolerância a perdas temporárias.
Perguntas frequentes sobre o décimo terceiro e renda variável
Devo usar o décimo terceiro para quitar dívidas ou investir?
Se as suas dívidas têm juros altos, como cartão de crédito ou cheque especial, quitar ou reduzir essas dívidas tende a ser mais vantajoso do que investir, porque os juros da dívida são maiores do que o retorno esperado da maioria dos investimentos. Priorize dívidas com juros acima de 1% ao mês. Se as dívidas têm juros baixos, como um financiamento imobiliário, a decisão depende do seu perfil e da sua capacidade de investir com retorno maior, mas lembre-se de que retorno maior vem com risco maior.
É seguro investir o décimo terceiro em ações?
Não existe investimento 100% seguro, e ações podem perder valor no curto prazo. Se você tem um horizonte de longo prazo, de pelo menos cinco anos, e não vai precisar desse dinheiro antes, pode considerar a renda variável, mas diversifique e não invista tudo em uma única ação. Se você não tem experiência, prefira fundos de índice ou fundos geridos por profissionais, mas sempre leia o regulamento e verifique as taxas.
Como funciona o pagamento do décimo terceiro para quem tem renda variável?

O décimo terceiro é um direito de quem trabalha com carteira assinada, inclusive trabalhadores intermitentes, mas o valor varia conforme a média dos rendimentos do ano. Para quem é autônomo ou PJ, não há décimo terceiro garantido, então o planejamento deve ser feito ao longo do ano, separando uma parte da renda mensal. Consulte o seu contrato ou o RH da empresa para entender as regras específicas.
Qual a melhor forma de guardar o décimo terceiro para usar no início do ano?
Se você vai usar o dinheiro em até seis meses, o ideal é deixá-lo em investimentos de liquidez diária e baixo risco, como o Tesouro Selic ou um CDB com liquidez diária. Esses investimentos rendem próximo da taxa Selic e permitem resgate a qualquer momento sem perda do valor principal. Evite renda variável para esse objetivo, porque o prazo é curto e o risco de perda é alto.
Preciso declarar o décimo terceiro no Imposto de Renda?
Sim, o décimo terceiro é tributável e deve ser informado na declaração anual do Imposto de Renda, tanto o valor recebido quanto o imposto retido na fonte. Se você investe o décimo terceiro, os rendimentos também devem ser declarados, dependendo do tipo de investimento. Consulte um contador ou use os canais oficiais da Receita Federal para esclarecer dúvidas específicas.
Antes de decidir o que fazer com o décimo terceiro, liste as suas dívidas, calcule a sua reserva de emergência e defina os seus objetivos de curto e longo prazo. Com essas informações em mãos, você consegue escolher entre quitar dívidas, guardar ou investir com mais segurança. Se a renda variável fizer parte da sua estratégia, invista apenas o que você não vai precisar no curto prazo e mantenha a diversificação. E se tiver dúvidas sobre o seu caso específico, procure um planejador financeiro ou um contador de confiança.

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